| Desertificação
Resultado da degradação
ambiental
Desertificação
é o processo de "degradação da terra nas
regiões áridas, semi-áridas e subúmidas,
resultante de diferentes fatores, entre eles as variações
climáticas, e as atividades humanas". O termo surgiu
no fim dos anos 40 para identificar áreas que estavam ficando
parecidas com desertos ou aquelas em que os desertos aparentavam
estar expandindo-se.
Esses
locais são caracterizados pela escassez de chuva. As precipitações
anuais variam entre 250 a 800 mmm/ano, geralmente concentradas em
três ou quatro meses, alternadas com prolongados períodos
de seca. Cerca de 1 bilhão de pessoas (um sexto da população
mundial) mora em terras secas, que ocupam 37% da superfície
terrestre. Nessas áreas, está também a maior
concentração de pobreza.
Mais
vulneráveis à erosão, essas zonas têm
passado por processos de degradação dos solos, dos
recursos hídricos, da vegetação e da biodiversidade,
somados à redução da qualidade de vida da população.
Em grande parte, por conta da exploração desordenada
dos recursos, com o objetivo de produzir mais para o atender ao
mercado. Por ser um problema global, a desertificação
chamou a atenção da comunidade internacional que,
por meio da Organização das Nações Unidas
(ONU), vem buscando saída para a questão e criando
espaços para a discussão sobre o tema desde a década
de 70.
No
Brasil, 980 mil quilômetros estão sujeitos à
desertificação. Existem diferentes causas para este
fenômeno, quase todas associadas ao manejo inadequado da terra.
Desmatamento, queimadas, irrigação mal conduzida,
pastoreio excessivo, mineração e cultivo dependentes
são algumas das práticas que proporcionam perda de
recursos e redução da capacidade produtiva das terras.
Os
efeitos da degradação ambiental são maximizados
por fatores estruturais, como má distribuição
de renda, alta densidade demográfica e incompatibilidade
entre atividades econômicas e condições ambientais.
Estes agravantes tornam mais difícil o combate à desertificação.
No Nordeste, o descuido com a natureza tem criado complicações
que já podem ser percebidas: diminuição da
disponibilidade de água, assoreamento do Rio São Francisco,
exposição excessiva dos solos a insolação
por causa do desmatamento, perda da umidade e redução
da biodiversidade da caatinga. Danos de outra ordem, a exemplo da
diminuição da atividade agrícola, da circulação
de renda e, consequentemente, do aumento dos índices de pobreza
não são menos graves e exigem políticas governamentais
específicas. |