<%@LANGUAGE="VBSCRIPT" CODEPAGE="1252"%> ___.:: Reserva da Biosfera da Caatinga ::.___

 Figura 3.Mapa limite do Bioma Caatinga

O bioma Caatinga localiza-se na região do semi-árido ocupando uma área aproximada de 1.037.517,80 km?, abrangendo 09 estados nordestinos (Piauí, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia), além da região norte do estado de Minas Gerais (Figura 3). Essa região abrange 60% da área do Nordeste, incluindo o norte de MG (área da SUDENE), e 13% do Brasil, com 56% da população nordestina contando com o norte de MG e 16% da população brasileira.


Das terras recobertas com a caatinga, 50 % são de origem sedimentar, ricas em águas subterrâneas. Os rios, em sua maioria, são intermitentes e o volume de água, em geral, é limitados, sendo insuficiente para a irrigação. A altitude da região varia de 0-600m. A temperatura varia de 24 a 28 º C. A precipitação média é de 250 a 1000mm e o déficit hídrico elevado durante todo o ano

As terras da caatinga possuem o índice xerotérmico igual ao do cerrado (100-150), porém de procedência diferenciada, no núcleo Nordeste do Escudo Brasileiro do período pré-cambriano, resultando em solos mais ricos (Andrade-Lima, 1981) e com 50% origem sedimentar rico em águas subterrâneas. Os rios, em sua maioria, são intermitentes e o volume de água, em geral, limitado e insuficiente para a irrigação. A altitude da região varia de 0-600m, com a temperatura entre 24 a 28 º C. A precipitação média é de 250 a 1000 mm e o déficit hídrico elevado durante todo o ano.


A Caatinga é uma região diversificada em paisagens e tipos vegetacionais devido às variações geomorfológicas, climáticas e topográficas (Andrade-Lima, 1981), o que influência a distribuição, riqueza e diversidade de suas espécies vegetais (Silva, 2002). Já a altura e a densidade da comunidade vegetal deste ecossistema estão relacionadas, principalmente, com a precipitação (Gomes, 1979), mas também com as características químicas e físicas do solo (Santos et al., 1992), sendo seu ecossistema definido pelo seu clima (Andrade & Lins, 2001). Sua vegetação é constituída, especialmente, de espécies lenhosas e herbáceas, de pequeno porte, geralmente dotadas de espinhos, sendo, geralmente, caducifólias, perdendo suas folhas no início da estação seca, e de cactáceas e bromeliáceas. Estima-se que pelo menos 932 espécies já foram registradas para a região, das quais 380 são endêmicas. A catingueira, as juremas e os marmeleiros são as plantas mais abundantes na maioria dos trabalhos de levantamento realizados em área de caatinga.


A lista de espécies existentes na Caatinga é incompleta devido a falta de estudos na região. Segundo Tabarelli et al. (2000), mais de de 40% deste ecossistema ainda não foi amostrado, cerca de 80% das áreas estudadas foram sub-amostradas e as áreas protegidas, como reservas e unidades de conservação, totalizam menos de 2% de todo ecossistema.


Em trabalhos qualitativos e quantitativos sobre a flora e vegetação da caatinga, foram registradas cerca de 596 espécies arbóreas e arbustivas, sendo 180 endêmicas. Esse número de espécies tende a aumentar se considerarmos as herbáceas. As famílias arbóreas e arbustivas mais frequentes são Caesalpinaceae, Mimosaceae, Euphorbiaceae, Fabaceae e Cactaceae, sendo os gêneros Senna, Mimosa e Pithecellobium com maior números de espécies. A catingueira (Caesalpinia pyramidalis Tul.), as juremas (Mimosa spp.) e os marmeleiros (Croton spp.) são as plantas mais abundantes na maioria dos trabalhos de levantamento realizados em área de caatinga.


Os dados acima demonstram que a referência literária sobre a Caatinga: ecossistema pobre, abrigando poucas espécies endêmicas e, portanto, de baixa prioridade para conservação é errônea e tem origem em seu aspecto visual devido a sua forma de adaptação à seca. Esse mito vem sendo empobrecido à medida que estudos são realizados na região e novas espécies endêmicas de plantas e animais são constantemente descritos (Andrade-Lima 1982, Rodal 1992, Sampaio 1995, Garda 1996, Silva & Oren 1997). Como exemplo, um estudo sobre o esforço amostral das coletas de um grupo de anfíbios identificou a Caatinga como uma das regiões menos conhecida em toda a América do Sul, com extensas áreas não possuindo uma única informação (Heyer 1988).


Destaca-se a fauna de vertebrados da caatinga com 148 espécies de mamíferos registrados, das quais 10 são endêmicas e 10 estão ameaçadas de extinção. Podemos encontrar um pouco mais de 348 espécies de aves, das quais 15 são endêmicas e 20 ameaçadas de extinção. Em relação aos répteis e anfíbios, 154 espécies foram registradas, das quais 15% são endêmicas. Ainda são registrados 185 tipos de peixes, onde 57,3% são de espécies endêmicas.

A Caatinga apresenta um histórico de ação antrópica antigo, iniciado desde o período colonial, com o avanço pelo interior para a expansão econômica através da procura por ouro e pedras preciosas, com o regime de sesmarias e com o sistema de capitanias hereditárias (Andrade-Lima, 1981; Arruda, 2001). Grande parte de sua vegetação original, em torno de 60 e 70%, já foi modificada. Atividades como queimadas para o preparo do solo para a agricultura, substituições de vegetação nativas por pastagens e retirada de lenha são apontadas como as principais agressões e causa das modificações ocorridas (Andrade-Lima, 1981; Tabarelli et al., 2000; Arruda, 2001).

Essas atividades são, principalmente, exercidas pelos moradores locais, tidos como a maior concentração de população pobre do Brasil. Dados mais recentes estimam que nos últimos 15 (quinze) anos 40.000km² ( 4.000.000 ha ) de caatinga foram devastados devido à interferência do homem na região. Ainda, estima-se que anualmente 653.000 ha são devastados.


Atualmente, parte do Nordeste do Brasil, onde está inserida a Caatinga, tem-se dedicando à irrigação, especialmente o Vale do São Francisco, onde os solos e as condições climáticas são altamente favoráveis a essa pratica. Dentre os produtos voltados para exportação, destacam-se uva, melão, manga e outras frutas.